A Professora Sandra Ferreira conjuntamente com Professores de escolas da zona Oeste de Portugal participou, de 22 a 28 março, numa mobilidade Erasmus+ ( Jobshadowing) realizada em Sevilha.  

Esta iniciativa, promovida pela OesteCim – Comuinidade Intermunicipal do Oeste em colaboração com a ONECO Consulting SLU, proporcionou a docentes de vários ciclos de ensino, a oportunidade de desenvolver competências e adquirir experiências enriquecedoras no contexto educativo europeu. 

Ao longo de uma semana, os professores envolveram-se em workshops e observaram práticas pedagógicas em contexto real, contactando com metodologias de ensino de Espanha. 

No primeiro dia, depois de uma reunião introdutória na agência ONECO e da apresentação geral do programa, o grupo dirigiu-se ao Centro de Apoio ao Corpo Docente (CEP) que à semelhança de vários outros, foram criados na década de 80 por decisão da Administração Educacional para responder às necessidades de formação permanente do corpo docente não universitário, apoiando neste momento, 12 mil professores entre 350 escolas. Funciona como centros de recursos e ponto de encontro para professores, onde são desenvolvidos planos de formação e renovação de metodologias de ensino, ferramentas pedagógicas, etc. 

O Centro comporta diversos espaços entre eles, uma Biblioteca que tem exposições itinerantes e livros para emprestar aos professores e uma Sala de Futuro para formação dos docentes e visitas das escolas. 

Curioso perceber a dinâmica que permite a grupos de professores fazerem um trabalho em autoformação que poderá terminar em posterior disseminação a serem ajudados pelo centro e poderem ter alguém de referência na temática, no país que os ajude.  

O encontro com a Professora Marga Valle, assessora do ensino secundário e integrante da equipe de internacionalização do CEP de Sevilha, abordou o sistema educacional espanhol.  

Concluiu-se que os sistemas de ensino português e espanhol partilham uma estrutura por etapas e a convivência entre ensino público e privado. A principal diferença reside na gestão: Portugal tem um sistema centralizado, enquanto Espanha é fortemente descentralizada.  

O ano letivo em Espanha decorre de meados de setembro até meados de junho, dividido em três trimestres com pausas no Natal (2 semanas), na Páscoa (1 semana), na Feira de Sevilha (1 semana) e no verão (julho e agosto). As aulas funcionam geralmente das 8h/9h às 14h/15h com um só intervalo de 30 minutos a meio da manhã. Após este período os alunos ou vão para casa ou para centros de explicações ou de ocupação de tempos livres. 

A escolaridade obrigatória é mais longa em Portugal, dos 6 aos 18 anos, enquanto em Espanha termina aos 16 anos.  Também se distingue a estrutura das etapas — ciclos em Portugal e, em Espanha, Primária (1- 12 anos) /ESO (ensino secundário obrigatório, abrangendo quatro anos, 12-16 anos) dividido em dois ciclos e que será o fim da escolaridade obrigatória e a transição para o bacharelato ou ensino profissional esta última com forte valorização nacional. 

No segundo dia, deu-se a visita ao CEIP Espanha (Escola Pública de Educação Pré-escolar e Ensino Básico 1-6 anos), situada no interior do Parque María Luisa, o edifício data da Exposição Ibero-Americana de 1929, que albergava jornalistas vindos de todo o mundo nesse período. 

 Aqui foi possível entrar em diversas aulas destacando-se a de Inglês de 6.º ano, na qual os alunos apresentarem role-playing sobre como se descolar em Lisboa e ir a restaurantes ou comprar bilhetes em Portugal. 

Proporcionou-se, ainda, o acompanhamento por parte dos professores em jobshadowing, a uma visita de estudo a uma igreja do bairro vizinho para conhecer os andores preparados para as procissões da Semana Santa.  

A escola, para além da localização privilegiada, é bastante pequena, com apenas uma turma por sala de aula. 

Já no terceiro dia, foi visitado o Colégio Salesianos da Santíssima Trindade. 

É uma escola com 120 anos de história, pública e gratuita, gerida pela iniciativa privada com mais autonomia curricular, administrativa e financeira que comporta 1700 alunos e 115 professores e 6 pessoas ajudam na manutenção dos espaços. 

Devido à sua política de não impor limites de idade, oferece ensino desde o pré-escolar até ao ensino secundário (dos 3 aos 18 anos) e escola profissional, parte na qual se destaca pela qualidade pois nas aulas práticas os alunos trabalham de forma autónoma com pensamento crítico e capazes de resolução de problemas. 

Ali foi possível assistir a aulas em todas as oficinas relacionadas com o ensino profissional e a uma aula do primeiro ciclo. Apesar disso, verificou-se o conhecimento da língua inglesa por parte dos alunos.  

No quarto e último dia de visitas a escolas, conheceu-se o IES Miguel Servet a Escola Secundária e Profissional (Cuidado a Pessoas em Situação de Dependência), situada num bairro residencial bem servido de autocarros e transportes públicos com cerca de 900 alunos e 75 professores, com máximo de 30 alunos no secundário e 35 ou 38 no bacharelato, por turma. 

Esta escola é conhecida pela participação em concursos académicos tendo os alunos recebido prémios em concursos de engenharia organizados pela Universidade de Sevilha. A escola organiza atividades culturais e educativas, como feiras do livro, concursos de escrita e sessões informativas para as famílias.  

Houve lugar a uma reunião com o diretor e duas professoras da escola na qual houve oportunidade para comparar modos de trabalho nas escolas e pedagogias implementadas nas mesmas.  

A escola apresenta um funcionamento marcado por várias especificidades organizacionais e pedagógicas. Durante os intervalos, os professores assumem a supervisão direta dos alunos, garantindo o acompanhamento e a segurança no recreio. A instituição dispõe de apoio médico semanal, assegurando uma resposta regular a questões de saúde escolar, e mantém um departamento de informação e orientação, que presta apoio a alunos e famílias em diversas áreas. 

No que respeita à avaliação, parte das provas — designadas “tipo moda” — decorrem em formato online, mesmo nos primeiros anos de escolaridade, evidenciando a aposta na digitalização. A carga letiva dos docentes situa‑se entre 17 e 18 horas, podendo estender‑se até 25 horas, sendo dada prioridade ao teletrabalho sempre que possível. Os diretores de turma dispõem de quatro horas atribuídas para desempenharem as suas funções, e o Diretor recebe uma compensação de cerca de 500 euros, embora essa quantia seja considerada insuficiente face às responsabilidades exigidas. 

A escola utiliza quadros interativos e recorre ao Moodle como plataforma de apoio às aprendizagens. Contudo, situações como chuvas intensas obrigaram, por vezes, à interrupção das atividades presenciais, sendo realizadas algumas videochamadas como alternativa. Os alunos utilizam computadores, mas estes pertencem às próprias famílias, uma vez que o plano tecnológico apenas forneceu equipamentos aos professores, não contemplando os estudantes. 

Relativamente ao apoio especializado, existe a figura do PT, que não corresponde ao professor titular, mas sim a um profissional que acompanha alunos com necessidades educativas tais como apoio ou a permanência em salas de Autismo ou Trissomia. Quanto às medidas de conclusão de ciclo, a transição é descrita como uma medida excecional, usada cada vez menos, dado que a retenção, segundo o diretor, tem perdido utilidade e eficácia. 

A escola enfrenta alguns problemas de comportamento, embora não se verifique um nível significativo de violência física ou verbal. Observa‑se, contudo, uma crescente complexidade no contexto familiar, sendo frequente a responsabilização de terceiros pelas dificuldades apresentadas pelos alunos. Este conjunto de fatores condiciona a dinâmica escolar, exigindo uma gestão pedagógica e administrativa cuidadosa e adaptada às necessidades reais da comunidade educativa. 

Em paralelo com as visitas ao nível pedagógico, conhecer a cidade de Sevilha, permitiu compreender melhor as comunidades que nela vivem, reconhecer o valor do seu património e contactar com tradições e expressões gastronómicas e culturais únicas. A mobilidade coincidiu, ainda, com o início da Semana Santa, o que acrescentou uma dimensão cultural particularmente rica, permitindo aos participantes vivenciar tradições locais, enriquecendo a visão do mundo, promovendo a tolerância e o entendimento sobre diferentes formas de viver e interpretar a realidade. 

Por fim, a partilha, a cooperação e o diálogo entre profissionais foram elementos centrais deste encontro, que permitiu não só conhecer de perto a organização do sistema educativo espanhol como também as diferentes realidades dos níveis de ensino representados pelos docentes portugueses. 

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